Os Brechós Estão Tomando a Baixada Fluminense de Assalto

No melhor estilo “Do It Yourself”, a galera da Baixada está começando a criar seus próprios negócios em contramão das grandes marcas

Por Rodrigo Caetano (@rodrigojcaetano)
rodrigo@entretere.com.br

7/8/2017, 18:31

Se você se interessa por moda e não tem muita grana no bolso, com toda a certeza já colou em alguns brechós pra tentar criar aquele visual sem ter muito custo. Em tempos de crise, toda a criatividade vem a tona quando se trata de estilo.

Hoje em 2017, a gente consegue perceber uma cena bem interessante que tem revitalizado a ideia de brechó. Diversas meninas tem feito garimpo ou simplesmente vendendo aquelas peças que não lhe cabem mais ou que ocupam espaço no guarda roupa. Uma das plataformas que tem sido usada para isso é o instagram. Já existem diversos perfis que fazem venda de roupas online a preços populares.

Na Baixada Fluminense a coisa não é diferente. Já existem tantos que o pessoal de Nova Iguaçu criou um evento só para essa galera. O Gambiarra, é um projeto que já tá na pista a mais de 1 ano, e é o grande evento que congrega essa galera. Conversamos com a Clara Rodrigues, uma das organizadoras do Gambiarra,  para sacar melhor esse movimento. “A gente costuma receber cerca de 50 expositores por feira. Geralmente quem se inscreve primeiro tá dentro, as vagas são limitadas e a procura é sempre muito grande, então as vezes tem que ter uma curadoria sim. Mas essa peneira rola mais no momento em que a gente percebe que tem muitos expositores vendendo os mesmos produtos. Tipo bijouteria e acessórios, que tem sempre uma barraquinha igual a outra. Ai rola o famoso corte. A gente tem expositores que tão com a gente desde a primeira feira”, explica Clara.

Clara Rodrigues, do Gambiarra.
Foto: Fernando Santos

Esse movimento tem se desenvolvido através da rede social e também da organização desses brechós. Cada um deles se posiciona como marca e trabalha através de uma curadoria bem especifica, mas um dos objetivos também é vestir bem sem pagar caro. Renatinha, dona do brechó Original BXD , já trabalhou em loja comum mas sempre vendia roupas suas para fazer um troco e queria algo a mais.  “Queria trazer algo legal pras pessoas, facilitar a vida de alguém, e foi quando eu tive a ideia de fazer uma coisa pro publico local, de onde eu vivo, os lugares q eu frequento. no caso, a Baixada”, conta Renatinha. “O conceito real da parada é que dá pra ser pobre, morar num lugar de difícil acesso, ser estudante, trabalhador e sem tempo, e andar no role com uma blusinha maneira, uma calça diferenciada. Roupas que você não tem tempo pra ir numa loja grande, num shopping, porque sua vida é estudar e trabalhar longe de casa, ou porque  você só tem grana pra comprar roupa no final do ano, quando cai o 13º”.

Em contramão do fast fashion, os brechós são de fato uma importante iniciativa desses jovens se posicionarem e se expressarem. Me disseram uma vez que a moda é a história do seu corpo e a partir desses movimentos, os brechós estão colocando os jovens da periferia como protagonistas dessa história sem precisar abrir as pernas para grandes marcas e fazendo do seu próprio jeito.

Foto: Quitta Pinheiro

Gambiarra + Batekoo
Foto: Caio Rabelo

Foto: Caio Rabelo

Foto: Caio Rabelo

 

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