Segunda-feira é dia de colocar a poesia na rua com o Sarau TáNo Ponto!

Entrevistamos Mc Max Volume e Jessé Andarilho, os frentes do sarau mais marginow da cidade do Rio!

Por Fernando Santos (@careca_fernando)
santos.fernando@ymail.com

27/1/2017, 11:27

Na penúltima segunda-feira de 2016 passamos em Madureira, o berço da moda carioca onde o estilo fala mais alto – a Nova York brasileira – e checamos de perto o sarau que anda fazendo muito barulho no ouvido daquele cidadão que aguarda o coletivo lotado para voltar à sua humilde residência depois de um dia de labuta intensa.

Muita correria, caixa de som passando, engradado de cerveja rolando, uma cadeira cheia de livros na intenção de suprir a falta de uma estante, a galera anotando as últimas rimas em folhas de caderno usadas, aquele perrengue para acender a churrasqueira. Isso mesmo! Rola um churrasco entre uma poesia e outra. A carne é liberada, mas tem que fortalecer na cerveja. Pegaram a visão? Essa é vibe do Sarau TáNo Ponto, a roda de poesia que juntou MC’s e poetas na mesma calçada com a intenção de resistir bravamente à monotonia e apatia de uma segunda no subúrbio do Rio de Janeiro.

Colocar a cultura nas ruas da Zona Norte do Rio não é qualquer um que banca, mas Max e Jessé resolveram botar a cara e falaram como tem sido essa batalha. Se liguem!

ENTRETERE: Apresente-se.

Max: Sou Mc Max Volume. Pra quem não tá ligado, sou cria da Favela do Guarda. Estou envolvido no rap desde os 14 anos. Quando eu fiz curso aqui na CUFA, o Jessé Andarilho foi meu professor. Depois trabalhamos juntos na CUFA Filmes. Assim que o projeto terminou ele me mandou uma mensagem querendo saber quando era de boa a gente fazer um sarau, “segunda ou terça?”, e eu disse “segunda, mané”. Uma semana depois ele me ligou falando “po, o sarau é hoje!”.

A gente chegou, botamos duas caixinhas, chamamos os poetas, os MC’s, fomos trabalhando. Já vão fazer dois anos que todas as segundas estamos aqui, cada dia mais bonito! O público nunca é o mesmo, então a energia é sempre renovada. Quem quiser chegar, toda segunda-feira, 19 horas embaixo do viaduto de Madureira.

ENTRETERE: O que você aprendeu nesses quase dois anos criando esse espaço para a cultura e botando a poesia na rua? E o que você espera de 2017?

Mc Max Volume: O que eu aprendi? É que as pessoas mais simples podem te emocionar da forma mais forte! Parece que elas têm algo guardado e quando recitam a poesia é algo muito puro, tá ligado?

Aprendi também que o espaço é para todo mundo. A rua também fala! Têm muito artista na rua. Eu acredito que toda pessoa tem seu espírito artístico. O foda é que a gente não tem nada para desenvolver isso, o governo não ajuda em porra nenhuma, a sociedade não ajuda em porra nenhuma, então a gente faz esse encontro.

2017 espero continuar vivenciado o que tem acontecido aqui, que possam vir novas pessoas recitarem suas poesias e espero seguir de pé, dando prosseguimento no sarau, já que não temos apoio de ninguém. É a gente por nós, mesmo.

Jessé Andarilho também mandou a lírica:

Jessé: Meu nome é Jessé Andarilho, cria lá de Antares. Sou escritor e um dos fundadores do Sarau TáNo Ponto.

A ideia da criação do sarau surgiu porque eu queria continuar meu trabalho de militância e incentivo à leitura. Falei com dois amigos, o Anderson Reef, que é produtor e o Max Volume, que é rapper, então resolvemos fazer o sarau em Madureira, aqui na frente da CUFA. Como eu já tinha trabalhado aqui um tempo atrás, criei uma certa amizade com o fundador da CUFA, o Celso Athayde. Conversei com ele e conseguimos o espaço. Estamos aqui toda segunda-feira, fazendo o Sarau TáNo Ponto.

ENTRETERE: Por quê Sarau TáNo Ponto?

Jessé Andarilho: Porque quando a gente começou o evento não tínhamos público, a ideia era que o nosso público fosse as pessoas que estavam no ponto esperando o ônibus. Mas também significa que a poesia está no ponto, que o rap está no ponto. Isso quer dizer que chegou nossa hora, que está no ponto de cada um mostrar seu talento, de mostrar seu trabalho com união. Com o trabalho de cada um a gente está criando essa resistência toda segunda-feira.

ENTRETERE: O que você aprendeu com esse tempo de resistência e o que você espera para o Sarau TáNo Ponto em 2017?

Jessé Andarilho: Às vezes as pessoas perguntam “po, tu faz sarau toda semana, quanto tu ganha?”. O que eu ganho para fazer sarau são novos amigos que nunca me farão uma pergunta dessa, tá me entendendo? A gente tem de lucro o Mestre Zelão do Berimbau, um poeta incrível que passou um dia no ônibus, desceu, começou a recitar e hoje em dia toda segunda-feira ele está aqui. Tem uma galera que a gente não conheceria se não fosse através do sarau, então quanto mais pessoas a gente conhece, mais pessoas vêm para cá, mais nos sentimos felizes e realizados. Isso quer dizer que estamos no caminho certo.

Que em 2017 as pessoas que frequentam o sarau continuem frequentando e que novas pessoas possam vir e somar com família TáNo Ponto!

Sarau TáNo Ponto
Horário: toda segunda-feira, a partir das 19 horas.
Local: Embaixo do viaduto de Madureira, calçada da CUFA, em frente ao ponto!

É isso!

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2 Comentários

  1. 27 de janeiro de 2017
    Jessé Andarilho

    Razô 👏🏽👏🏽👊🏾👊🏾📚📚🎤🎤👍🏾👍🏾

  2. 2 de fevereiro de 2017
    Fernando Santos

    Valeu.

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