Fala ai, MC: Rashid

Por Nyl de Sousa (@nylmc)
nyl.front@gmail.com

29/6/2017, 18:07

Salve, salve família! Meio sumido, mas tamo na pixta.

No dia 1º de junho rolou a Batalha do Real Representa, no Imperator, Zona Norte do Rio. Na pegada de festival de rap, o evento marcou o início da temporada 2017 da BdR com o lançamento do álbum da BdR Gang. Os MCs que participaram da temporada passada gravaram nos instrumentais produzidos para eles duelarem nas rimas.

O grande convidado da noite foi Rashid, rapper de São Paulo que passou pela Batalha da Santa Cruz, Rinha dos MCs e Liga dos MCs. Habilidoso no improviso, também começou a chamar a atenção nas músicas. Com 1 EP, 3 mixtapes e com seu primeiro disco de estúdio lançado “A Coragem da Luz”, aos 29 anos, Rashid é um dos grandes nomes do Rap Brasileiro. Antes do show, trocamos uma ideia sobre carreira, processo criativo e projetos futuros. Tem spoiler sobre o próximo single e uma curiosidade sobre o disco, pega a visão.

Entretere: Você vem de várias mixtapes e lançou 1 disco ano passado, com banda, bem musicado e você falou que esse ano vai fazer uma proposta diferente né…Qual é a ideia e como ela está hoje pra você?

Rashid: Cara, é um projeto em construção digo no sentido de que, a gente quer construir essa parada junto com os fãs, junto com os ouvintes, na perspectiva que a gente vai fazendo, finalizando as músicas e colocando as músicas na rua ta ligado? Então vão ser alguns meses de lançamento até que a gente vai anunciar uma data, dessa vez diferente de todas as outras, não uma data de lançamento, mas sim uma data de finalização do projeto. Onde ai sim vamos subir para as plataformas a capa do disco, o nome do disco, algumas faixas inéditas que a gente vai deixar pra ter uma surpresa também pra quem ta acompanhando.

Porque o que a gente faz? A gente vai ta lançando os singles e depois disso tudo não vai ficar uma parada perdida no tempo, quem chegar depois disso ai vai ter um projeto novo do Rashid lá entendeu? Não vou ter só lançado vários singles sem relação nenhuma um com outro. A ideia é realmente conseguir construir uma parada costurada. Até agora a gente lançou 3 sons: PrimeiraDiss, Bilhete 2.0 e o último foi Estereótipo em maio. Inclusive nesse momento to trocando mensagem aqui com o Luiz Café e ele ta terminando a próxima música que vem já nesse mês agora de junho.

Entretere: Você teve um disco muito elogiado, houve registro de todo o processo de gravação que contou com vários músicos. Conta pra gente como que é essa coisa de ter um trabalho musicado dentro do rap, onde predomina o formato DJ/MC e como é isso na realidade do Brasil hoje, da gravação até a mobilidade pro show?

Rashid: Primeiro era um sonho né, fazer esse tipo de disco. O disco, o álbum. Antes de lançar o disco eu tinha parado pra contar e tinha quase 100 músicas lançadas já, de 2010 a 2015. Fora participação. É música pra caramba e a gente pensou: de que forma a gente pode surpreender as pessoas, fazer algo diferente? Dai partimos pra esse formato orgânico, que não é 100% orgânico.

Pegamos vários beats com os amigos e fomos substituindo alguns elementos, e trazendo uma cara mais “vamo trampar esse disco pra um bagulho pro futuro mesmo”, sabe? E mesmo sabendo desse risco, que tem muita gente habituada ao boombap sujo e ao trapzão pesado. Era arriscado de certa forma, mas também não é nenhuma novidade. Criolo fez isso, Emicida, Rael, Mano Brown fez isso no disco recente.

 

Era um disco que não era só por nós, mas pela arte mesmo

 

Entretere: 2 caras que você citou ai que participaram do disco né? O Brown e o Criolo.

Rashid: Era pro Emicida ter entrado no disco, era pra ele ter produzido uma parada, mas acabou não dando por conta de prazo. Então, é uma música que a gente ainda tem na manga. O Marechal já fez coisa com banda também. E eu já ouvi diversas prévias do disco dele que não chegaram a sair que tem muita coisa assim. No Brasil não é novidade. Mas é algo que a gente queria fazer, era um sonho, era uma parada difícil. Não foi barata também, mas novamente foi nós por nós. É isso, essa é nossa forma de trabalhar também.

Acho que muitas pessoas também não entenderam o disco, ta ligado? Ou não quiseram entender. Tem gente que pergunta: porque você fez esse disco meio com samba assim?! Na real não é. Cria-se o estereótipo de que tipo: ó, tudo que é feito com banda descamba pro samba. E não é, o disco é muito jazz, tem rock, enfim…Mas na real foi uma parada que a gente fez e que a gente conseguiu conquistar o que queria. Conseguiu alcançar pessoas diferentes. Conseguimos fazer com que outras pessoas olhassem pro rap de certa forma. Era um disco que não era só por nós, mas pela arte mesmo.

 

Créditos: Fernando Santos

Entretere: Você é um cara que vem do cenário de batalha lá em SP, muitos rolês pela estrada do Rap. Ta ai já acompanhando quase uma segunda geração que ta vindo da galera, em termo de renovação de público e renovação artística, você é bem parte desse processo inclusive. Como é isso pra você hoje? O Rashid hoje, olhando pra trás e olhando pro rap no Brasil pra frente.

Rashid: Mano, acho muito foda de representar um ponto de transição junto de outras pessoas. Fico feliz por esse reconhecimento. Não que a gente tenha trabalhado necessariamente pra isso. a gente trabalhou pra fazer a parada acontecer. E aconteceu de tal forma que virou uma parada né, virou um marco, uma viela de chave. Meio que estamos virando a velha escola da nova geração ta ligado?! (risos!)  Chega uns caras com cara de mais velho do que eu falando, “pow, te escuto desde criança ta ligado?! (risos)”  É muito louco isso! Porque já faz um tempo, se você for pensar.

Agora nesse ano vai fazer 10 anos quando eu comecei a batalhar, e quando eu comecei a batalhar era com o nome de Moska, então vai fazer 10 anos que eu mudei meu nome pra Rashid, que eu decidi dar o passo da profissionalização do trabalho. Você vê ai que, vários irmãos começaram a estourar agora na cena. Mano, acho bom pra caramba isso ai. Acho bom ter ajudado em certo ponto pra abrir a cabeça das pessoas também, ta ligado?  A gente queria ser uma mistura dos Racionais com o SP Funk, com o Quinto Andar, com o MV Bill e o D2 ao mesmo tempo ta ligado? No começo teve muita crítica, porque ao mesmo tempo que a gente tinha “E Se” tinha “Bilhete”, ai o Projota tinha “Rap em Ação” e tinha “Chuva de Novembro”, “Mulher”. Emicida também tinha as pesadonas e tinha as românticas. Muita gente criticava essa parada.

E hoje é um bagulho muito natural, você faz um rap mais de amor, no outro dia você quer falar de ódio mesmo, outro dia sobre política. Não foi novidade o que a gente fez, na real, não era novidade nenhuma. Isso já tava sendo feito a muito tempo. O próprio Racionais já fazia isso, só que a música de relacionamento dos caras era a visão dos caras, era diferente, mas já tinha. Tomamos marretada no começo, mas depois abriu a cabeça das pessoas também. Não sei se abriu a cabeça do público, mas vários artistas perceberam. Tipo Cartola, consigo ser triste e feliz no mesmo disco, sem problema, porque a minha vida é assim no mesmo dia.

Nós não inventou nada, só fizemos. Ou da certo ou não da.

 

 

 

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